Editorial do nº2
Resumo
A publicação do número 2 da RPTO – Revista Portuguesa de Terapia Ocupacional ocorre após um interregno alargado relativamente ao seu primeiro número, um hiato que importa contextualizar junto da comunidade académica e profissional que acompanha e contribui para este projeto editorial.
Este intervalo não resultou de descontinuidade científica nem de falta de compromisso com a revista, mas de circunstâncias excecionais. A RPTO foi alvo de um ataque informático que comprometeu de forma severa a sua infraestrutura digital, culminando na destruição da plataforma da revista e dos conteúdos entretanto produzidos. Face à magnitude do dano, tornou-se inevitável encetar um processo de reconstrução técnica e editorial particularmente exigente, realizado de forma faseada e ajustado à disponibilidade possível da equipa envolvida. Este foi um percurso moroso, marcado por decisões criteriosas e por um esforço continuado de salvaguarda da integridade científica e editorial da revista.
É com satisfação que apresentamos agora o segundo número da RPTO, que disponibiliza os restantes trabalhos apresentados nas Jornadas Académicas de Terapia Ocupacional, realizadas em 2022. Estes textos refletem a diversidade de abordagens, contextos e linhas de investigação que caracterizam a Terapia Ocupacional em Portugal, evidenciando o dinamismo da formação, da prática e da reflexão crítica no seio da profissão. A sua publicação representa, simultaneamente, um compromisso com os autores e com a memória científica do evento, garantindo a visibilidade e a valorização do conhecimento produzido.
Este número inclui ainda um texto da equipa editorial, intitulado “A tecnologia como meio, não como fim: implicações para a prática da Terapia Ocupacional”, que convida à reflexão crítica sobre o lugar da tecnologia na intervenção terapêutica contemporânea. Partindo de uma perspetiva ética e centrada na ocupação, esta redação problematiza o uso acrítico da tecnologia e reforça a necessidade de a compreender como um recurso ao serviço da participação, da autonomia e do significado ocupacional, e não como um fim em si mesmo.
Com a publicação deste segundo número, reafirmamos o propósito da RPTO enquanto espaço de divulgação científica, de reflexão interdisciplinar e de fortalecimento da identidade da Terapia Ocupacional. Apesar dos desafios enfrentados, este número assinala um recomeço e uma continuidade, sustentados pelo trabalho colaborativo, pela resiliência editorial e pela confiança de autores, revisores e leitores.
A todos os que contribuíram para tornar possível este regresso, o nosso agradecimento.

